Exportações brasileiras para a União Europeia sobem 60,1% em setembro; vendas para a Argentina recuam
As exportações brasileiras apresentaram comportamentos diferentes entre alguns dos principais parceiros comerciais do país em setembro. Enquanto as vendas para a União Europeia cresceram 60,1% na comparação com o mesmo mês de 2025, os embarques para a Argentina recuaram 25,2%.
Os números fazem parte dos dados da balança comercial de setembro divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
No mês, o Brasil exportou US$ 34,42 bilhões, alta de 12,9% em relação aos US$ 30,49 bilhões registrados em setembro do ano passado. As importações somaram US$ 26,68 bilhões, uma redução de 2,4%.
Com isso, o país terminou setembro com superávit comercial de US$ 7,74 bilhões. No acumulado de janeiro a setembro, o saldo positivo chegou a US$ 62,4 bilhões.
União Europeia aumenta compras de produtos brasileiros
O principal destaque entre os dados divulgados está no comércio com a União Europeia.
As exportações brasileiras para os países do bloco somaram US$ 6,95 bilhões em setembro, contra US$ 4,34 bilhões no mesmo mês de 2025. O crescimento foi de 60,1%.
Ao mesmo tempo, as importações brasileiras provenientes da União Europeia diminuíram 8,7%, passando de US$ 4,45 bilhões para US$ 4,06 bilhões.
A combinação de mais vendas brasileiras e menos compras resultou em um superávit de US$ 2,89 bilhões na relação comercial com o bloco durante setembro.
O resultado também aparece quando se observa o acumulado do ano.
Entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras para a União Europeia chegaram a US$ 44,15 bilhões, alta de 20% sobre o mesmo período de 2025. As importações cresceram apenas 0,8%, para US$ 38,05 bilhões.
O saldo comercial brasileiro com o bloco ficou positivo em US$ 6,10 bilhões nos nove primeiros meses de 2026.
Petróleo e produtos agrícolas estão entre os destaques
O crescimento das vendas brasileiras para a União Europeia está relacionado principalmente ao aumento dos embarques de algumas commodities e produtos básicos.
Entre os itens que contribuíram para o resultado estão petróleo bruto, minério de cobre, farelo de soja, soja e óleos combustíveis.
O desempenho mostra também a importância das commodities para a pauta de exportações do Brasil.
Em setembro, considerando todas as vendas externas do país, os principais produtos exportados foram petróleo bruto, soja, minério de ferro, café não torrado, milho e carne bovina.
Somente o petróleo bruto respondeu por aproximadamente US$ 6,5 bilhões das exportações brasileiras no mês. A soja gerou cerca de US$ 3,5 bilhões, enquanto o minério de ferro alcançou US$ 2 bilhões.
O café também teve participação importante, com aproximadamente US$ 1,3 bilhão em vendas externas.
Acordo entre Mercosul e União Europeia entra no contexto
O resultado de setembro também ocorre em um momento de mudanças na relação comercial entre o Mercosul e a União Europeia.
O acordo comercial entre os dois blocos entrou em vigor em maio de 2026, segundo informações do MDIC. O governo brasileiro tem destacado o aumento dos fluxos comerciais desde então.
O acordo prevê mudanças graduais nas condições de acesso aos mercados, incluindo redução ou eliminação de tarifas para determinados produtos ao longo do processo de implementação.
Isso não significa, porém, que todo o crescimento registrado em setembro possa ser atribuído diretamente ao acordo.
O próprio MDIC informou que vários dos produtos que puxaram a alta das exportações brasileiras para a União Europeia em setembro, como petróleo e soja, já eram isentos de imposto de importação antes da entrada em vigor do acordo.
Por isso, o resultado precisa ser analisado considerando também preços internacionais, volume embarcado, demanda de cada mercado e condições específicas de cada produto.
Exportações para a Argentina caem 25,2%
Enquanto as vendas para a União Europeia avançaram, o comércio com a Argentina apresentou retração.
As exportações brasileiras para o país vizinho somaram US$ 1,36 bilhão em setembro, queda de 25,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando chegaram a aproximadamente US$ 1,81 bilhão.
Os dados oficiais do comércio exterior mostram que a queda não foi um movimento isolado de setembro. Em agosto, as exportações para a Argentina já haviam recuado 9,6% na comparação anual; em julho, a redução havia sido de 14,3%.
No acumulado de janeiro a setembro, o Brasil exportou US$ 11,58 bilhões para a Argentina, queda de 18,5% em relação ao mesmo período de 2025.
As importações brasileiras de produtos argentinos, por outro lado, cresceram 4,4% no acumulado do ano, alcançando US$ 9,95 bilhões.
Com isso, o Brasil registrou saldo positivo de US$ 1,63 bilhão no comércio com a Argentina entre janeiro e setembro.
O que explica a diferença entre os mercados?
Os números mostram que o comércio exterior brasileiro não apresenta necessariamente a mesma tendência em todos os destinos.
A demanda de cada país, o desempenho das economias locais, os preços das commodities e as condições comerciais influenciam diretamente os resultados.
No caso argentino, a redução das exportações brasileiras em setembro ocorreu mesmo com o comércio bilateral mantendo saldo positivo para o Brasil.
É importante também observar que a Argentina representa uma parcela menor das exportações brasileiras do que mercados como China, Estados Unidos e União Europeia. Em setembro, as vendas para os argentinos representaram cerca de 3,9% das exportações totais brasileiras, segundo os dados oficiais.
Ainda assim, a Argentina possui importância estratégica para o Brasil, especialmente por sua participação no comércio regional e no Mercosul.
Estados Unidos também registraram alta em setembro
Outro resultado que chamou atenção nos dados de setembro foi o crescimento das exportações brasileiras para os Estados Unidos.
As vendas para o mercado norte-americano aumentaram 31,9% na comparação com setembro de 2025 e chegaram a US$ 3,52 bilhões.
Segundo dados divulgados pelo MDIC, o crescimento ocorreu em um contexto de mudanças nas tarifas aplicadas a determinados produtos. As vendas brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos, por exemplo, cresceram 524% em setembro, enquanto as exportações de café aumentaram 108%.
Apesar da alta mensal, o acumulado de janeiro a setembro ainda registra queda de 6,5% nas exportações brasileiras para os Estados Unidos, que somaram US$ 28,37 bilhões no período.
Isso mostra por que a análise de um único mês precisa ser feita com cuidado. Uma alta ou queda pontual não necessariamente representa uma mudança definitiva na relação comercial.
China continua como importante destino das exportações
A China também apresentou queda nas compras de produtos brasileiros em setembro.
As exportações para o país asiático recuaram 7,6% e somaram US$ 7,89 bilhões no mês. Mesmo com a redução mensal, o acumulado de janeiro a setembro permanece positivo, com crescimento de 12% e total de US$ 84,68 bilhões.
Entre os fatores que influenciaram o resultado de setembro estão quedas nas vendas de carne bovina, soja e farelo de soja.
A China respondeu por aproximadamente 22,9% de todas as exportações brasileiras em setembro, mantendo posição de destaque entre os destinos dos produtos nacionais.
Brasil fecha setembro com forte superávit
O desempenho dos principais parceiros ajudou a formar o resultado geral da balança comercial brasileira.
Em setembro, as exportações chegaram a US$ 34,42 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 26,68 bilhões. A diferença resultou em um superávit de US$ 7,74 bilhões.
O valor representa crescimento de 146,4% em relação ao saldo registrado em setembro de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, o superávit brasileiro chegou a US$ 62,4 bilhões, alta de 34,8%.
A corrente de comércio, que soma exportações e importações, alcançou US$ 61,10 bilhões em setembro e US$ 506,91 bilhões nos nove primeiros meses do ano.
Entre os produtos que sustentaram as exportações brasileiras no mês estiveram petróleo, soja, minério de ferro, café e outros produtos agrícolas e minerais.
Resultado mostra cenário diferente entre os parceiros
Os dados de setembro revelam um cenário diversificado para o comércio exterior brasileiro.
De um lado, as vendas para a União Europeia avançaram de maneira expressiva e ajudaram a ampliar o superávit comercial com o bloco. De outro, as exportações para a Argentina diminuíram, mantendo uma tendência de queda observada ao longo de boa parte de 2026.
Estados Unidos e China também tiveram movimentos diferentes: os americanos aumentaram as compras em setembro, enquanto os chineses reduziram os embarques no mês.
Para o Brasil, essa diversificação ajuda a explicar por que o resultado total das exportações pode crescer mesmo quando determinados mercados apresentam retração.
Os números de setembro, portanto, não contam apenas uma história de alta ou queda das vendas externas. Eles mostram como o desempenho do comércio brasileiro depende de uma combinação de parceiros, produtos, preços internacionais e condições comerciais.
Comentários
Postar um comentário