Antes de culpar exclusivamente a qualidade do esmalte, vale observar alguns hábitos da rotina. O contato frequente com água, produtos de limpeza, impactos e até o uso das unhas para abrir embalagens podem comprometer a aparência da esmaltação.
A preparação das unhas antes de receber o produto também faz diferença. Resíduos na superfície, excesso de camadas e falta de tempo para a secagem podem prejudicar o acabamento.
Além disso, alguns cuidados que parecem estar relacionados apenas à beleza também são importantes para a saúde das unhas.
Não preparar as unhas antes da esmaltação
A aplicação do esmalte começa antes mesmo da primeira camada de cor.
Para obter um acabamento uniforme, é importante que as unhas estejam limpas e sem resíduos que possam interferir na aplicação. O formato também pode ser ajustado com uma lixa, de acordo com a preferência e a rotina de cada pessoa.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) recomenda que as unhas sejam aparadas com tesoura ou lixas de uso pessoal ou descartáveis. A entidade também alerta que lixar excessivamente a parte de cima da unha pode retirar camadas de queratina e deixá-la mais fina e frágil.
Por isso, preparar não significa desgastar a superfície da unha.
Escolher qualquer base sem observar as necessidades das unhas
A base costuma ser vista apenas como uma etapa obrigatória antes do esmalte colorido, mas existem produtos com diferentes propostas.
Algumas pessoas procuram bases para unhas que apresentam maior tendência à quebra, enquanto outras priorizam produtos voltados para acabamento ou proteção.
O ideal é considerar as características das próprias unhas e evitar escolher produtos apenas porque estão na moda ou porque funcionaram para outra pessoa.
Também é importante ficar atento a possíveis reações. Segundo a SBD, alguns produtos para unhas podem provocar alergias. Coceira, vermelhidão ou lesões na pele são sinais que justificam interromper o uso e procurar avaliação dermatológica.
Passar muitas camadas e ter pressa para terminar
Quanto mais produto é colocado sobre a unha, maior pode ser o tempo necessário para que tudo seque adequadamente.
A pressa é especialmente problemática logo depois da esmaltação. Pegar objetos, mexer em bolsas, lavar as mãos ou realizar tarefas domésticas pouco tempo depois pode deixar marcas ou facilitar o surgimento de pequenas falhas.
Por isso, mesmo quando o esmalte parece seco por fora, vale ter cuidado com impactos e pressão nas primeiras horas.
Produtos específicos para auxiliar na secagem podem ser usados conforme as orientações do fabricante.
Lavar louça sem proteger as mãos
Esse é um hábito comum e fácil de ignorar.
A combinação de água, detergentes e outros produtos de limpeza pode afetar a pele ao redor das unhas e contribuir para o desgaste da esmaltação.
Quem passa bastante tempo fazendo tarefas domésticas pode reduzir esse contato utilizando luvas. A SBD recomenda o uso de luvas para pessoas que trabalham frequentemente com água ou produtos de limpeza e indica, inclusive, uma luva de algodão por baixo da luva de borracha para ajudar a proteger a região.
Além de preservar o esmalte, o cuidado ajuda a reduzir a exposição das mãos a substâncias que podem irritar a pele.
Usar as unhas como ferramentas
Abrir uma embalagem, raspar uma etiqueta, tentar levantar uma tampa ou abrir uma lata usando a unha pode parecer inofensivo.
O problema é que esses pequenos impactos podem provocar lascas e quebras.
E quando a ponta da unha sofre uma pequena lesão, o esmalte aplicado sobre ela também pode começar a se soltar.
O ideal é utilizar o objeto adequado para cada tarefa e deixar as unhas para aquilo que elas realmente fazem: proteger a ponta dos dedos.
Retirar o esmalte de maneira agressiva
Outro erro está na hora de remover a esmaltação.
Quando uma pontinha começa a levantar, pode surgir a tentação de puxar todo o esmalte com a própria unha. O problema é que, junto com o produto, pequenas camadas da unha podem acabar sendo removidas.
A SBD também alerta que a acetona pode deixar as unhas mais frágeis e quebradiças e recomenda dar preferência a removedores que não contenham a substância.
Isso não significa que toda remoção de esmalte com produtos específicos causará danos. O cuidado principal é evitar agressões repetidas e observar como as unhas respondem ao procedimento.
Não dar intervalos entre as esmaltações
Manter as unhas constantemente cobertas também merece atenção.
A SBD recomenda períodos sem esmalte porque o uso ininterrupto pode contribuir para ressecamento e enfraquecimento das unhas. A entidade indica uma semana por mês sem esmaltação e, quando isso não for possível, pelo menos dois a três dias de intervalo entre as aplicações.
Durante esse intervalo, a hidratação pode ajudar a reduzir o ressecamento.
A pausa também permite observar melhor a aparência natural das unhas.
Esmalte descascando pode ser sinal de algum problema?
Nem sempre.
Uma esmaltação pode descascar simplesmente porque sofreu atrito, contato com água ou algum impacto. Entretanto, quando a pessoa percebe alterações persistentes na própria unha, é importante não tratar tudo como um problema de manicure.
Mudanças de cor, textura, formato, espessura, descamação ou quebra frequente podem ter diferentes causas.
A SBD alerta que alterações nas unhas podem estar relacionadas a problemas dermatológicos e até a algumas condições sistêmicas. Por isso, quando uma mudança persiste, a orientação é procurar um dermatologista em vez de tentar tratamentos caseiros.
Como fazer o esmalte durar mais?
Não existe uma fórmula capaz de garantir que uma esmaltação permaneça perfeita por um período específico. A durabilidade depende do produto, da aplicação e, principalmente, da rotina de cada pessoa.
Ainda assim, alguns cuidados podem ajudar:
deixe as unhas limpas antes da aplicação;
evite excesso de camadas;
respeite o tempo de secagem indicado;
use luvas para tarefas domésticas com água e produtos de limpeza;
não utilize as unhas para abrir ou raspar objetos;
evite arrancar o esmalte com as próprias unhas;
faça pausas entre as esmaltações;
mantenha a região das mãos e das unhas hidratada.
São atitudes simples que podem ajudar tanto na aparência da manicure quanto na conservação das unhas.
E quando o esmalte começa a descascar?
A primeira reação pode ser tentar salvar a manicure passando outra camada por cima.
Dependendo do caso, isso pode funcionar temporariamente, mas também pode deixar a superfície irregular e aumentar a quantidade de produto acumulado.
Quando existem muitas falhas, pode ser mais interessante remover a esmaltação e refazer o procedimento corretamente.
Também vale observar há quanto tempo o esmalte está nas unhas. A SBD alerta que esmalte lascado ou mantido por períodos prolongados pode favorecer a presença de microrganismos em determinadas situações, reforçando a importância de manter uma boa higiene das unhas.
Beleza e saúde das unhas precisam andar juntas
Uma manicure bonita pode fazer parte da rotina de cuidados pessoais, mas a saúde da unha deve vir antes da aparência.
Isso significa não insistir em procedimentos que provocam dor, ardência ou irritação e procurar orientação profissional diante de alterações persistentes.
Também é importante não confundir produtos cosméticos com tratamentos médicos. Bases, esmaltes e fortalecedores podem ter diferentes finalidades, mas não substituem uma avaliação dermatológica quando existe uma alteração na unha.
No fim, fazer o esmalte durar mais não depende apenas da escolha da cor ou da marca.
A preparação adequada, o tempo de secagem e os cuidados depois da manicure fazem parte do resultado. E hábitos aparentemente pequenos, como colocar luvas para lavar louça ou parar de usar as unhas para abrir embalagens, podem ajudar a preservar tanto a esmaltação quanto as próprias unhas.
A melhor manicure, portanto, não é apenas aquela que permanece bonita por mais tempo. É também aquela feita sem comprometer a saúde das unhas.
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