A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos de Barra Mansa capacitou, nesta terça-feira (6), 51 novos orientadores sociais que irão atuar no acompanhamento de gestantes e crianças durante a primeira infância. A formação ocorreu no Salão Nobre do Centro Universitário de Barra Mansa (UBM) e teve como objetivo preparar os profissionais para o trabalho de proteção social realizado diretamente nos territórios.
Os orientadores atuarão no Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio para Gestantes e Crianças que recebem o Benefício de Prestação Continuada (SPSBD-GC). A proposta envolve acompanhamento das famílias, orientação sobre cuidados e estímulos ao desenvolvimento infantil, escuta e fortalecimento dos vínculos familiares.
A capacitação foi conduzida pela coordenadora estadual do serviço, Marcela Dias, e pela técnica estadual de referência Giselle Rodrigues.
Segundo as informações divulgadas pelo município, a meta estabelecida para Barra Mansa é chegar a 1,2 mil atendimentos por mês, alcançando famílias inscritas no Cadastro Único, incluindo beneficiários do Bolsa Família e pessoas que recebem o BPC.
O que fazem os orientadores sociais
O trabalho dos orientadores ocorre principalmente junto às famílias, e não apenas dentro das unidades de assistência social.
Durante o acompanhamento, os profissionais podem orientar responsáveis sobre aspectos relacionados aos cuidados com as crianças, observar situações que mereçam atenção e contribuir para o fortalecimento da relação entre os integrantes da família.
A proposta é que o atendimento considere a realidade de cada território e as necessidades específicas das famílias acompanhadas.
Na prática, uma visita domiciliar pode permitir que o profissional compreenda aspectos que nem sempre aparecem em um atendimento realizado exclusivamente dentro de uma unidade pública. A rotina da família, as condições do ambiente e as dificuldades encontradas no dia a dia fazem parte do contexto que pode ser considerado pela equipe.
O objetivo, porém, não é substituir serviços de saúde, educação ou outras áreas. A assistência social trabalha de forma articulada com a rede de proteção para identificar necessidades e encaminhar situações aos serviços responsáveis quando necessário.
Primeira infância vai de zero a seis anos
A primeira infância corresponde aos primeiros seis anos de vida. É um período em que a criança passa por importantes transformações físicas, cognitivas, emocionais e sociais.
Por isso, políticas públicas voltadas a essa fase não se limitam à alimentação ou aos cuidados básicos. Também envolvem estímulos adequados à idade, convivência familiar, proteção contra situações de violência ou negligência e acesso aos serviços públicos.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) destaca que o atendimento a gestantes e crianças de zero a seis anos passou a integrar formalmente a rede de proteção social do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
A reorganização foi estabelecida por resoluções publicadas em 2025, que incluíram esse público no Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio e transformaram o atendimento em uma política permanente dentro do SUAS.
Visitas domiciliares fazem parte da estratégia
Uma das características do serviço é a utilização de visitas domiciliares planejadas.
A estratégia permite que as equipes acompanhem as famílias mais próximas de sua realidade cotidiana e identifiquem possíveis situações de vulnerabilidade ou ausência de proteção social.
De acordo com as orientações do MDS, o serviço deve ser articulado aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e ao Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF).
A proposta é fortalecer os vínculos familiares e apoiar gestantes e famílias com crianças pequenas que estejam em situação de vulnerabilidade, além de facilitar o acesso às seguranças socioassistenciais.
Em Barra Mansa, os 51 profissionais capacitados passam a integrar esse processo de acompanhamento.
Formação busca preparar profissionais para situações diferentes
O trabalho com famílias exige que os profissionais estejam preparados para lidar com situações variadas.
Uma família pode procurar assistência por dificuldade financeira, falta de acesso a determinado serviço, necessidade de orientação ou outras situações de vulnerabilidade. Em outros casos, a equipe pode identificar durante o acompanhamento uma necessidade que demande encaminhamento para outra política pública.
Por isso, a formação dos orientadores inclui não apenas informações sobre desenvolvimento infantil, mas também aspectos relacionados à escuta e ao fortalecimento dos vínculos.
Segundo a diretora de Proteção Social Básica de Barra Mansa, Cátia Batista de Souza, a capacitação busca preparar os novos profissionais para uma atuação qualificada junto às crianças e às famílias.
Desenvolvimento infantil depende de uma rede de cuidados
O desenvolvimento de uma criança não acontece isoladamente.
Família, saúde, educação, assistência social e outros serviços podem ter participação nesse processo. Cada área possui responsabilidades próprias, mas a articulação entre elas ajuda a evitar que uma necessidade identificada fique sem encaminhamento.
Em Barra Mansa, a própria administração municipal já realizou capacitações voltadas ao acompanhamento do desenvolvimento infantil na área da saúde. Em uma formação realizada anteriormente, profissionais discutiram a importância da atenção básica, da Caderneta da Criança e da identificação de sinais que podem indicar a necessidade de avaliação especializada.
Esse tipo de integração é especialmente importante durante os primeiros anos de vida, quando alterações no desenvolvimento podem ser identificadas e acompanhadas pelos serviços responsáveis.
Quem pode ser acompanhado?
O serviço municipal está voltado a famílias que se enquadram nos critérios estabelecidos pela política de assistência social, com prioridade para gestantes e famílias com crianças na primeira infância em situação de vulnerabilidade.
Entre o público citado pela Secretaria de Assistência Social estão famílias inscritas no Cadastro Único, incluindo beneficiários do Bolsa Família e pessoas que recebem o Benefício de Prestação Continuada.
O Cadastro Único funciona como instrumento de identificação e caracterização das famílias de baixa renda e é utilizado como referência para diferentes programas sociais.
Isso significa que estar inscrito no cadastro não representa, automaticamente, o direito a todos os benefícios existentes. Cada programa ou serviço possui critérios próprios.
No caso do acompanhamento domiciliar, a inserção depende das regras e da organização da rede socioassistencial.
Atendimento pode chegar a 1,2 mil famílias por mês
A meta anunciada para Barra Mansa é realizar 1.200 atendimentos mensais.
O número representa a capacidade de acompanhamento planejada pelo município e não significa necessariamente que 1.200 famílias distintas serão atendidas todos os meses. Uma mesma família pode receber acompanhamento em diferentes momentos, conforme a metodologia e as necessidades identificadas pela equipe.
O trabalho contínuo também permite que os profissionais acompanhem mudanças na situação familiar e avaliem a necessidade de manutenção, ampliação ou encaminhamento do atendimento.
A quantidade de atendimentos efetivamente realizados poderá variar conforme a implantação do serviço, a organização das equipes e a demanda existente nos territórios.
Política de primeira infância passou por mudanças no SUAS
A capacitação dos profissionais ocorre em um momento de mudança na forma como o atendimento à primeira infância é organizado dentro da assistência social brasileira.
Segundo o MDS, a antiga estratégia Primeira Infância no SUAS/Criança Feliz foi reorganizada e passou a integrar de forma permanente a rede do SUAS.
A mudança incluiu a criação formal do Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio para Gestantes e Crianças, com financiamento federal e diretrizes próprias.
Entre as alterações estão a previsão de visitas domiciliares planejadas, atividades coletivas e atuação de profissionais vinculados diretamente aos serviços da assistência social.
A implementação ocorre de forma gradual, conforme a adesão dos municípios e a disponibilidade orçamentária prevista para a política.
Por que o acompanhamento é importante?
Para uma família que enfrenta dificuldades financeiras ou sociais, o acesso a informações e serviços pode ser tão importante quanto o recebimento de um benefício.
Uma gestante pode precisar de orientação para acessar determinado serviço. Uma família com uma criança pequena pode desconhecer um direito ou ter dificuldade para chegar a uma unidade pública. Em outras situações, a equipe pode identificar uma situação que exige atenção de outro órgão.
O orientador social atua justamente como parte dessa rede de proteção.
O acompanhamento não substitui o papel dos pais ou responsáveis e também não significa que o profissional será responsável pelo desenvolvimento da criança. A função é apoiar a família, orientar, acompanhar e contribuir para o acesso às políticas públicas disponíveis.
Trabalho começa após a capacitação
Com a conclusão da formação, os 51 orientadores passam a atuar dentro da estrutura planejada pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos.
O desafio será transformar o conteúdo da capacitação em acompanhamento regular nos territórios, alcançando as famílias que se enquadram no público do serviço.
A expectativa do município é ampliar a presença da assistência social junto a gestantes e crianças pequenas e atingir a meta de 1.200 atendimentos mensais.
Mais do que uma ação isolada, a iniciativa está inserida em uma política nacional que passou a incorporar de maneira permanente o atendimento domiciliar à primeira infância dentro do SUAS.
Para as famílias, o resultado esperado é o fortalecimento do acesso à informação, aos serviços e à rede de proteção durante uma fase considerada fundamental para o desenvolvimento das crianças.
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