A tentativa depende de autorização das autoridades responsáveis pela segurança dos estádios. O principal ponto de discussão é o posicionamento do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (BEPE), que já se opôs anteriormente à realização do clássico em São Januário por considerar que havia riscos à segurança no entorno e dentro da arena.
O pedido acontece em meio a outra disputa: a relação do Vasco com a administração do Maracanã. O clube entende que um acordo para utilização do estádio não vem sendo cumprido e, diante desse cenário, quer exercer o mando de campo em sua própria casa.
A discussão, portanto, envolve três questões diferentes: o direito de mando do Vasco, as condições de utilização do Maracanã e a avaliação de segurança para um clássico de grande rivalidade.
Por que Pedrinho quer o clássico em São Januário?
O argumento da diretoria vascaína está relacionado principalmente ao mando de campo.
O Vasco tem um acordo que prevê a possibilidade de utilizar o Maracanã em determinadas partidas. Segundo a direção do clube, porém, o entendimento não vem sendo colocado em prática como esperado, já que o time não conseguiu levar para o estádio partidas contra Vitória e Palmeiras pela Copa do Brasil.
Em agosto, Flamengo e Fluminense, por meio da concessionária que administra o Maracanã, alegaram que o acordo firmado anteriormente não teria validade por falta de assinatura da concessionária. Também citaram questões relacionadas à manutenção do gramado e ao momento em que o pedido foi feito pelo Vasco.
Diante desse cenário, Pedrinho passou a defender uma alternativa direta: em vez de depender do Maracanã, o Vasco quer enfrentar o Flamengo em São Januário.
O presidente vascaíno também argumenta que o clube vem mandando partidas consideradas de risco em seu estádio e questiona por que o clássico contra o Flamengo não poderia seguir o mesmo caminho.
Em declaração divulgada nesta sexta-feira (25), Pedrinho afirmou que o Vasco joga em São Januário contra adversários como Santos, Cruzeiro e Corinthians e fez um apelo ao poder público e ao BEPE para que a mesma estrutura de segurança seja considerada para o clássico.
O que o BEPE tem a ver com a decisão?
O BEPE é uma unidade especializada da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro voltada ao policiamento em estádios e eventos esportivos.
Sua avaliação é importante porque a realização de uma partida de grande rivalidade não depende apenas da estrutura física do estádio. Também é necessário considerar o deslocamento das torcidas, o entorno da arena, os acessos, a separação entre grupos de torcedores e a operação policial necessária antes, durante e depois do jogo.
Em 2025, quando o Vasco tentou levar um clássico contra o Flamengo para São Januário, o BEPE se posicionou contra o pedido.
Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Militar, a decisão foi baseada em análises estratégicas que apontavam riscos à segurança no perímetro e no interior do estádio em partidas daquela natureza.
A decisão chegou à Justiça.
Em abril de 2025, a Procuradoria-Geral do Estado informou que a 9ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a proibição de Vasco x Flamengo em São Januário. O tribunal manteve válido o ato administrativo do BEPE que havia indeferido o pedido do Vasco.
Esse precedente é um dos principais elementos que cercam o novo pedido.
São Januário pode receber cerca de 22 mil torcedores
A capacidade do estádio também entra na discussão.
Segundo o próprio Vasco, São Januário tem capacidade oficial aprovada pelo Corpo de Bombeiros para 24 mil pessoas. Entretanto, devido às exigências relacionadas à separação entre torcidas, a Polícia Militar autoriza atualmente a disponibilização de aproximadamente 22 mil ingressos.
Essa capacidade é muito menor que a de grandes arenas utilizadas em clássicos nacionais.
Isso não significa, por si só, que o estádio não possa receber partidas importantes. São Januário recebe regularmente jogos do Vasco e já foi palco de confrontos de grande público ao longo de sua história.
O ponto específico é a avaliação de risco para um Vasco x Flamengo.
Em um clássico, o planejamento envolve não apenas a quantidade de pessoas dentro do estádio, mas também o que acontece nas ruas próximas, nos trajetos utilizados pelas torcidas e nos momentos de chegada e saída.
O histórico recente pesa na decisão
A discussão atual não começa do zero.
Em 2025, o Vasco tentou realizar o clássico contra o Flamengo em São Januário, mas o pedido foi vetado pelo BEPE. O confronto acabou sendo disputado no Maracanã após a decisão judicial que manteve o veto.
O último Vasco x Flamengo pelo Brasileirão realizado em São Januário aconteceu em 2020. A partida terminou com vitória do Flamengo por 2 a 1 e foi disputada com os portões fechados em razão das restrições impostas durante a pandemia de Covid-19.
Isso significa que, caso o novo pedido seja aprovado, seria a primeira vez em anos que o clássico teria novamente a presença das duas torcidas em São Januário pelo Campeonato Brasileiro.
Vasco cita outros clássicos e jogos de rivalidade
Um dos principais argumentos apresentados por Pedrinho é que São Januário continua recebendo partidas consideradas de risco.
O presidente mencionou confrontos contra Santos, Cruzeiro e Corinthians para questionar a diferença de tratamento em relação ao duelo com Flamengo e Fluminense.
A lógica apresentada pelo clube é que, se existe uma operação de segurança capaz de permitir a realização desses jogos, seria necessário avaliar se medidas semelhantes poderiam ser aplicadas ao clássico.
A avaliação das autoridades, por outro lado, considera as características específicas de cada confronto.
É justamente nesse ponto que está o centro da discussão: a segurança de um jogo não é determinada somente pelo tamanho da torcida ou pela capacidade do estádio, mas por uma combinação de fatores analisados para cada evento.
Há também uma discussão sobre o Maracanã
A tentativa de levar Vasco x Flamengo para São Januário está diretamente ligada à disputa em torno do Maracanã.
O estádio é administrado por uma concessionária ligada a Flamengo e Fluminense, e o Vasco afirma ter um acordo que permitiria sua utilização em determinadas partidas.
O clube, porém, não conseguiu realizar no Maracanã os jogos contra Vitória e Palmeiras pela Copa do Brasil. No caso do confronto contra o Vitória, a administração do estádio apontou a programação de manutenção do gramado e o momento do pedido como razões para a negativa. Flamengo e Fluminense também sustentaram que o acordo citado pelo Vasco não teria validade por não ter sido assinado pela concessionária.
A situação alimentou o debate sobre o mando de campo.
Para o Vasco, atuar em São Januário seria uma forma de não depender da liberação do Maracanã.
Para que isso aconteça, entretanto, ainda será necessária a análise das autoridades responsáveis pela segurança.
Por que o caso é diferente do jogo contra o Boca Juniors?
A discussão sobre São Januário ganhou ainda mais força porque o Vasco também tenta encontrar um estádio para enfrentar o Boca Juniors pela semifinal da Copa Sul-Americana.
Nesse caso, existe um obstáculo diferente.
A Conmebol exige capacidade mínima de 30 mil espectadores para partidas de semifinal, e São Januário não alcança esse número. Por isso, mesmo que a segurança fosse considerada adequada, o estádio não poderia receber o confronto continental nas condições atuais.
Para o clássico contra o Flamengo, porém, essa exigência específica da Conmebol não existe.
Por isso, a discussão sobre São Januário no Brasileirão está concentrada principalmente no mando de campo e na segurança da operação.
Torcidas organizadas também entram no debate sobre segurança
A preocupação com a segurança em partidas de futebol não é exclusiva do Vasco x Flamengo.
Em junho de 2026, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro reuniu representantes de torcidas organizadas de Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo para discutir medidas de combate à violência no futebol.
Entre os compromissos estabelecidos estava a atualização periódica das listas de associados das torcidas, especialmente de suas lideranças, com participação do BEPE nas tratativas.
A iniciativa mostra que a segurança nos estádios é tratada como uma questão que envolve clubes, torcidas, autoridades policiais e órgãos públicos.
No caso de um clássico de grande rivalidade, essa articulação ganha ainda mais importância.
O que acontece agora?
O Vasco deverá formalizar seu pedido e caberá às autoridades responsáveis analisar as condições para a realização da partida em São Januário.
O clube já deixou clara sua preferência.
Pedrinho defende que o Vasco possa exercer seu mando de campo em sua própria casa e argumenta que o estádio recebe outros jogos considerados de risco. O BEPE, por sua vez, tem um histórico recente de veto ao clássico no local, baseado em avaliações de segurança.
Ainda não há, portanto, uma definição de que Vasco x Flamengo será realizado em São Januário.
O que existe é um novo pedido do Vasco e uma discussão que envolve aspectos esportivos, administrativos e de segurança.
A decisão final deverá considerar as condições do estádio, a operação necessária para receber as duas torcidas, o planejamento de segurança no entorno e as regras aplicáveis ao Campeonato Brasileiro.
Mais do que uma escolha de endereço, a definição do local do clássico envolve a tentativa de equilibrar o mando de campo do Vasco com as exigências de segurança para um dos confrontos de maior rivalidade do futebol carioca.
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