É nesse cenário que o setor de telecomunicações vem discutindo os próximos passos para ampliar e melhorar a conectividade no estado do Rio de Janeiro.
A primeira edição do Fórum Conecta RJ, realizado em Volta Redonda, reuniu representantes do setor para discutir avanços, dificuldades e perspectivas para as empresas de telecomunicações. O encontro colocou em debate temas ligados à infraestrutura, inovação, mercado e aos desafios enfrentados pelas empresas que trabalham para levar internet e outros serviços de comunicação a diferentes regiões.
Mais do que um encontro empresarial, o assunto ajuda a entender uma transformação que acontece longe dos olhos do consumidor. Por trás de uma chamada de vídeo, de uma transferência bancária ou de um sistema de uma fábrica existe uma estrutura formada por cabos, fibras ópticas, antenas, equipamentos, data centers e redes de transmissão.
O tamanho do mercado de telecomunicações no Brasil
Os números mostram a dimensão dessa infraestrutura.
Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil tinha 276,4 milhões de acessos de telefonia móvel no segundo trimestre de 2026. Desse total, 66,1 milhões já utilizavam a tecnologia 5G, equivalente a 23,9% da base de acessos móveis.
Na banda larga fixa, eram 55,4 milhões de acessos no mesmo período. A fibra óptica representava mais de 80% desse mercado, com 44,7 milhões de acessos.
Os números ajudam a explicar por que a infraestrutura de telecomunicações passou a ser considerada estratégica para praticamente todos os setores da economia.
Uma empresa pode até não trabalhar diretamente com tecnologia, mas dificilmente funciona hoje sem algum tipo de conexão. Sistemas de estoque, emissão de notas fiscais, máquinas de cartão, plataformas de vendas, atendimento ao cliente e armazenamento de informações dependem de redes de comunicação.
Fibra óptica mudou a banda larga
Um dos principais avanços dos últimos anos foi a expansão da fibra óptica.
Diferentemente de tecnologias baseadas exclusivamente em cabos metálicos ou redes sem fio, a fibra utiliza sinais de luz para transmitir informações. Isso permite velocidades elevadas e capacidade para transportar grandes volumes de dados.
O crescimento da fibra também mudou o mercado brasileiro. De acordo com a Anatel, mais de 80% dos acessos de banda larga fixa já utilizavam essa tecnologia no segundo trimestre de 2026.
Na prática, isso significa que atividades que antes exigiam uma conexão mais limitada podem ser realizadas com maior capacidade.
Videoconferências, sistemas empresariais hospedados na nuvem, câmeras de segurança conectadas e plataformas de atendimento são alguns exemplos.
Mas a expansão da fibra não significa que todas as regiões tenham recebido a mesma infraestrutura.
O desafio de levar conexão para áreas menos atendidas
Um dos principais obstáculos para o setor continua sendo ampliar a cobertura.
Dados apresentados pela Anatel no diagnóstico do Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações de 2026 apontaram a existência de mais de 30 mil localidades sem backhaul de fibra óptica e sem obrigações de atendimento atualmente estabelecidas. O levantamento também identificou milhares de localidades sem cobertura móvel adequada ou sem compromissos regulatórios de chegada da tecnologia.
Esse é um problema que vai além da velocidade contratada.
Uma pessoa pode ter acesso a uma conexão muito rápida em uma área urbana e, a poucos quilômetros dali, encontrar uma realidade completamente diferente.
Para uma pequena empresa instalada em uma região afastada, por exemplo, a ausência de infraestrutura pode dificultar o uso de sistemas em nuvem, pagamentos eletrônicos, videoconferências e ferramentas digitais de gestão.
Por isso, discutir telecomunicações também significa discutir desenvolvimento regional.
5G abre novas possibilidades para as empresas
Outro assunto que mudou o setor é a expansão do 5G.
A tecnologia oferece maior capacidade de transmissão de dados e menor latência em determinadas condições, o que abre possibilidades que vão além de simplesmente navegar mais rápido pelo celular.
Na indústria, uma rede mais avançada pode ajudar na comunicação entre máquinas e sistemas. Na agricultura, sensores conectados podem transmitir informações sobre áreas de cultivo. Em cidades, equipamentos podem ser integrados a sistemas de monitoramento.
Essas aplicações fazem parte do conceito de Internet das Coisas, conhecido pela sigla IoT, em que objetos e equipamentos passam a trocar informações por meio de redes de comunicação.
Mas também nesse caso existe um processo gradual de implantação.
A Anatel estabeleceu, no leilão do 5G realizado em 2021, compromissos para que todas as 5.570 sedes municipais brasileiras tenham cobertura 5G até julho de 2029, além de metas para localidades, rodovias federais e infraestrutura de fibra.
Ou seja, a expansão da tecnologia ainda está em andamento.
Pequenos provedores têm papel importante
O mercado de telecomunicações brasileiro também é formado por empresas de diferentes tamanhos.
Além das grandes operadoras nacionais, provedores regionais de internet ganharam espaço principalmente na banda larga fixa. Esses negócios podem atuar diretamente em cidades e regiões onde a oferta de grandes empresas nem sempre atende todas as necessidades.
A própria Anatel acompanha a concentração do mercado e publica indicadores sobre a competição no setor. No segundo trimestre de 2026, a agência registrou 21 mil prestadoras de banda larga fixa no país.
Essa diversidade pode aumentar as opções disponíveis para consumidores e empresas, mas também cria desafios para os próprios provedores.
Manter uma rede exige investimento constante em equipamentos, fibra, servidores, equipes técnicas, segurança e atendimento.
E quanto maior a dependência da sociedade em relação à internet, maior também é a expectativa sobre a qualidade do serviço.
Conectividade também significa segurança
A expansão das redes traz outro desafio: segurança digital.
Quanto mais equipamentos e sistemas estão conectados, maior é a quantidade de pontos que precisam ser protegidos.
Para uma empresa, um problema de segurança pode significar desde a interrupção temporária de um serviço até a exposição de informações importantes.
Isso torna a segurança uma parte cada vez mais relevante da infraestrutura de telecomunicações.
Não basta instalar uma conexão rápida. É necessário garantir que os equipamentos estejam atualizados, que os acessos sejam controlados e que existam mecanismos para identificar e responder a incidentes.
Para os consumidores, algumas medidas também são importantes, como utilizar senhas fortes, ativar autenticação em dois fatores quando disponível e manter roteadores e equipamentos atualizados.
O que as telecomunicações representam para o desenvolvimento regional
Quando um município recebe uma rede de comunicação mais moderna, os efeitos podem aparecer em diferentes setores.
Uma empresa pode ampliar o uso de sistemas digitais. Um profissional pode trabalhar remotamente. Um estudante pode acessar plataformas educacionais. Uma unidade de saúde pode utilizar serviços digitais. Uma loja pode vender pela internet.
É por isso que a discussão sobre telecomunicações deixou de ser exclusivamente técnica.
Em uma cidade industrial como Volta Redonda, por exemplo, conectividade também está relacionada à atividade econômica. Sistemas industriais, serviços empresariais e comunicação entre unidades dependem de redes confiáveis.
No turismo, a conectividade facilita reservas, pagamentos e divulgação de estabelecimentos. No comércio, ajuda a integrar lojas físicas e plataformas digitais.
O resultado é que a infraestrutura de telecomunicações passou a fazer parte da competitividade das cidades.
O próximo passo é melhorar a qualidade da conexão
O crescimento do número de acessos é apenas uma parte da transformação.
A discussão agora envolve também qualidade, estabilidade, cobertura e capacidade das redes.
Uma conexão rápida que cai constantemente pode ser pouco útil para uma empresa. Da mesma forma, uma rede móvel disponível apenas em determinados pontos pode não atender às necessidades de quem trabalha ou viaja por uma região.
A Anatel mantém compromissos de expansão e acompanhamento do setor justamente para estimular a ampliação do acesso e da infraestrutura. Entre as metas estabelecidas estão a expansão do 5G, da fibra óptica e da cobertura móvel em rodovias e localidades ainda não atendidas.
Esse processo, porém, depende de investimentos, planejamento, disponibilidade de infraestrutura e condições econômicas para que as empresas consigam ampliar suas redes.
Fórum coloca setor regional no centro da discussão
Nesse contexto, a realização do Fórum Conecta RJ em Volta Redonda ganha importância por aproximar a discussão nacional da realidade regional.
O encontro permite que empresas, especialistas e representantes do setor discutam problemas que muitas vezes aparecem de forma diferente em cada cidade.
A expansão de uma rede em uma grande área urbana não apresenta os mesmos desafios encontrados em bairros afastados ou municípios menores. Questões como obras, acesso a infraestrutura, energia, postes, fibra óptica e demanda dos consumidores fazem parte da rotina das empresas de telecomunicações.
Ao mesmo tempo, a transformação digital aumenta a necessidade de redes cada vez mais confiáveis.
O cenário dos próximos anos, portanto, deve combinar a expansão da fibra, o avanço do 5G, novas aplicações de inteligência artificial e Internet das Coisas, além de investimentos em segurança e modernização da infraestrutura.
Para o consumidor, boa parte dessa transformação continuará acontecendo de maneira quase invisível.
Quando uma chamada de vídeo funciona sem interrupções, uma empresa consegue operar seu sistema na nuvem ou uma máquina de cartão processa uma compra em poucos segundos, existe toda uma estrutura tecnológica por trás.
É justamente essa infraestrutura que está no centro dos debates do setor.
E o desafio para os próximos anos será fazer com que essa evolução não fique restrita aos grandes centros, mas alcance cada vez mais empresas, bairros e comunidades, transformando conectividade em uma ferramenta efetiva para trabalho, serviços, educação e desenvolvimento econômico.
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