Mais do que aproximar os jovens da corporação, o projeto aposta em um tipo de aprendizado que pode ser útil dentro de casa, na escola e na comunidade: saber como prevenir acidentes, reconhecer situações de risco e agir corretamente diante de uma emergência.
A iniciativa é realizada pela Prefeitura de Volta Redonda, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas), em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ). Nesta etapa de setembro, participam usuários dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) dos bairros Água Limpa e Eucaliptal.
Projeto ensina prevenção desde a infância
Quando se fala em bombeiros, é comum pensar primeiro em combate a incêndios e resgates. O trabalho do Bombeiro Mirim, porém, segue por um caminho mais amplo.
Os participantes terão contato com conteúdos relacionados a primeiros socorros, prevenção de acidentes domésticos, incêndios e afogamentos, educação no trânsito, defesa civil, preservação ambiental, saúde e higiene, entre outros temas.
A proposta é fazer com que o conhecimento não fique restrito às atividades do projeto. Uma criança que aprende, por exemplo, a identificar uma situação perigosa em casa pode levar essa informação para os pais, irmãos e amigos.
É justamente essa ideia de multiplicação do conhecimento que está entre os objetivos da iniciativa. O projeto busca formar jovens mais atentos aos riscos do cotidiano e capazes de contribuir para uma cultura de prevenção dentro das próprias famílias e comunidades.
Aula inaugural aproximou participantes da rotina dos bombeiros
O primeiro encontro desta nova etapa aconteceu no quartel do 22º GBM. Segundo o comandante da unidade, tenente-coronel Anderson Cardoso Santos da Silva, a apresentação foi feita de maneira lúdica para que os participantes pudessem compreender como será o desenvolvimento das atividades.
O contato direto com o ambiente do quartel também ajuda a transformar conceitos que poderiam parecer abstratos em experiências mais concretas.
Para uma criança, aprender sobre prevenção em uma sala de aula é importante. Mas conhecer equipamentos utilizados pelos bombeiros, observar como funciona uma unidade e acompanhar demonstrações pode tornar aquele conhecimento muito mais fácil de compreender e lembrar.
Durante o curso, estão previstas atividades teóricas e práticas, incluindo demonstrações com equipamentos, uso de mangueiras e extintores, técnicas básicas de salvamento, orientações sobre desengasgo e atendimento inicial a vítimas.
Primeiros socorros podem fazer diferença no dia a dia
Um dos pontos de destaque do projeto é a introdução de noções de primeiros socorros.
Situações de emergência podem acontecer em qualquer lugar: em casa, durante uma brincadeira, em uma atividade esportiva ou até mesmo no caminho para a escola. Nesses momentos, saber reconhecer o que está acontecendo e procurar ajuda de maneira adequada pode ser fundamental.
Isso não significa transformar crianças em profissionais de emergência. A proposta é oferecer conhecimentos básicos e orientar sobre como agir com segurança até que o atendimento especializado possa ser realizado.
O tema do desengasgo, por exemplo, faz parte da programação. Também estão previstas orientações sobre atendimento inicial a vítimas e prevenção de acidentes.
A lógica é simples: quanto maior o conhecimento sobre riscos e prevenção, menor a chance de uma situação perigosa evoluir por falta de informação.
Família também entra no aprendizado
Outro aspecto interessante da retomada é a participação dos familiares.
Na aula inaugural, responsáveis acompanharam os jovens e tiveram a oportunidade de conhecer o espaço do Corpo de Bombeiros. A presença das famílias ajuda a levar a discussão sobre prevenção para além das atividades do projeto.
A moradora do Água Limpa Júlia Oliveira da Silva Batista acompanhou os filhos na atividade e destacou justamente a possibilidade de as crianças aprenderem na prática e terem contato com a rotina dos bombeiros. Para ela, os conhecimentos sobre primeiros socorros também podem ser úteis em situações do cotidiano.
Esse envolvimento é importante porque muitos acidentes acontecem justamente dentro de casa. Cuidados simples, como manter produtos perigosos fora do alcance de crianças, ter atenção com tomadas e instalações elétricas, evitar brincadeiras próximas a locais de risco e conhecer procedimentos básicos de emergência fazem parte de uma cultura de prevenção.
O projeto, portanto, pode funcionar como uma ponte entre o conhecimento transmitido pelos profissionais e a rotina das famílias.
Disciplina sem deixar de lado cidadania
Embora a formação tenha ligação direta com a atividade dos bombeiros, o projeto não pretende apenas ensinar técnicas.
A programação também trabalha valores como responsabilidade, disciplina, solidariedade, respeito ao próximo, trabalho em equipe, autonomia, liderança e cidadania. Há ainda atividades de treinamento físico adaptado e ordem unida.
Na prática, isso significa que os participantes são estimulados a entender que segurança também depende de comportamento coletivo.
Um exemplo simples é o trânsito. Saber atravessar uma rua com atenção é uma atitude individual, mas respeitar regras de circulação ajuda a proteger todas as pessoas que utilizam aquele espaço.
O mesmo vale para incêndios, afogamentos, acidentes domésticos e preservação ambiental. Em diferentes situações, atitudes preventivas podem reduzir riscos não apenas para quem as pratica, mas para todos ao redor.
Visitas e atividades fora da sala de aula
A programação também prevê experiências externas.
Entre elas está o chamado Tour da Cidadania, com visitas a órgãos públicos municipais, ações de educação ambiental, passagem pelo quartel do Corpo de Bombeiros e visita ao Museu Histórico do CBMERJ.
Esse tipo de atividade amplia a experiência dos participantes porque apresenta diferentes serviços públicos e mostra como várias instituições trabalham para atender a população.
Para crianças e adolescentes, conhecer esses espaços pode ajudar a compreender melhor a cidade em que vivem e os profissionais responsáveis por diferentes áreas da vida pública.
Projeto já alcançou cerca de 3 mil jovens em Volta Redonda
A retomada atual também dá continuidade a uma história que já dura duas décadas no município.
O Projeto Bombeiro Mirim foi criado em 1987 pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro. Em Volta Redonda, a iniciativa começou em 2005.
Desde então, aproximadamente 3 mil crianças e adolescentes passaram pelo programa na cidade, distribuídos em 40 turmas. O projeto também alcançou 62 comunidades e levou atividades para cerca de 40 instituições públicas, entre escolas e centros de referência.
A trajetória inclui ainda ações voltadas à inclusão, como edições do Bombeiro Mirim Superando Barreiras, destinadas a pessoas com deficiência.
Esse histórico ajuda a explicar por que a retomada do programa não representa apenas o início de mais uma atividade. Trata-se da continuidade de uma iniciativa que já alcançou milhares de jovens no município.
Quem pode participar do Bombeiro Mirim
Nesta etapa, o projeto atende crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, regularmente matriculados na rede de ensino e cadastrados nos Cras.
Em setembro, os polos são:
Cras Água Limpa – Nayef Georges Francis
Rua Siqueira Campos, nº 16 – Água Limpa
Telefones: (24) 3339-4485 e (24) 98143-0037
Cras Eucaliptal
Rua Baltazar de Souza, nº 500 – Eucaliptal
Telefone: (24) 3512-9769
A previsão divulgada pela Secretaria Municipal de Assistência Social é ampliar gradualmente o projeto para outros Cras ainda neste ano, aumentando o número de crianças e adolescentes atendidos.
Uma lição que pode sair do quartel e chegar em casa
O principal resultado de um projeto como o Bombeiro Mirim não precisa aparecer apenas durante uma atividade no quartel ou em uma demonstração com equipamentos.
Ele pode surgir em uma situação muito mais simples.
Pode ser uma criança alertando a família sobre um risco de incêndio, lembrando alguém de usar o cinto de segurança, explicando que uma brincadeira perto de uma área perigosa não é segura ou sabendo que, diante de uma emergência, é necessário procurar ajuda de um adulto e acionar os serviços especializados.
É nesse ponto que a proposta de prevenção ganha força.
Ao aproximar crianças e adolescentes do Corpo de Bombeiros, o projeto não apenas apresenta uma profissão. Ele cria oportunidades para que os participantes entendam que cuidar da própria segurança e da segurança dos outros também é uma forma de cidadania.
Em Volta Redonda, a nova etapa começa com dois Cras, mas a expectativa de expansão pode levar essa cultura de prevenção para outras regiões da cidade ao longo dos próximos meses. E, para quem participa, a experiência pode deixar uma lição que vai muito além do período do curso: em muitas situações, prevenir é a primeira forma de proteger.
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