A importância do jogador aumentou ao longo da temporada, mas uma pergunta passou a fazer parte da discussão entre os torcedores: o Botafogo é realmente dependente de Montoro?
Os números do Campeonato Brasileiro ajudam a responder essa questão de maneira mais objetiva. Eles mostram que o argentino participa de uma parcela significativa das ações ofensivas do time, mas também indicam que o Alvinegro possui outros jogadores capazes de contribuir diretamente para os gols.
Montoro participa de uma em cada quatro finalizações do Botafogo
No Brasileirão, Montoro participou de 25 partidas até o levantamento divulgado pelo ge. Nesses jogos, o Botafogo registrou 325 finalizações, sem contar pênaltis e cobranças de falta diretamente para o gol.
O meia esteve envolvido em 83 dessas jogadas.
Isso representa 25,54% das finalizações da equipe, ou aproximadamente uma participação a cada quatro conclusões do Botafogo.
A participação inclui finalizações próprias, passes que deixam um companheiro em condições de chutar e também pré-assistências, que são os passes anteriores ao último passe.
Os números ajudam a dimensionar a função exercida pelo camisa 10.
Montoro não precisa necessariamente ser o jogador que finaliza a jogada para ter influência sobre ela. Muitas vezes, sua contribuição aparece justamente na construção da oportunidade.
Na prática, é aquele tipo de jogador que pode receber a bola no meio-campo, encontrar um companheiro entre as linhas e iniciar uma sequência que termina em finalização.
O argentino tem oito participações em gols
Quando o recorte passa das finalizações para os gols, Montoro também aparece entre os principais jogadores ofensivos do Botafogo.
Dos 35 gols marcados pelo clube nos jogos analisados, o meia participou diretamente ou na construção de oito deles, segundo o levantamento do ge.
São um gol, cinco assistências e duas pré-assistências.
Considerando esse critério, Montoro esteve envolvido em 22,86% dos gols da equipe.
O número mostra que o meia tem participação relevante, mas também é importante observar o outro lado da estatística.
Isso porque outros jogadores do elenco apresentam números expressivos quando estão em campo.
Danilo aparece com participação ainda maior
Um dos exemplos é Danilo.
O volante participou de 21 partidas do Campeonato Brasileiro e, nesses jogos, o Botafogo marcou 28 gols. Ele balançou as redes nove vezes e ainda deu duas assistências.
Pelo critério utilizado no levantamento, Danilo teve participação em 39,29% dos gols marcados pelo Botafogo nos jogos em que esteve em campo.
É uma taxa superior à de Montoro.
Isso ajuda a colocar a discussão sobre dependência em perspectiva.
Montoro é importante na criação, mas não é o único jogador capaz de produzir ações decisivas para o time.
O volante, por exemplo, tem uma característica diferente. Além de participar da construção das jogadas, aparece com frequência na área e consegue finalizar de média distância.
Foi justamente o que aconteceu na vitória por 3 a 2 sobre o Grêmio, em setembro. Danilo marcou duas vezes, enquanto Montoro fez um gol e teve participação direta nas duas jogadas dos gols do companheiro.
Contra o Grêmio, Montoro mostrou por que é tão valorizado
A partida contra o Grêmio é um bom exemplo da influência do argentino.
Na vitória por 3 a 2, Montoro teve uma das suas melhores atuações pelo Botafogo. Ele marcou um gol e deu as assistências para os dois gols de Danilo.
Além disso, encontrou Vitinho em uma oportunidade clara ainda no primeiro tempo.
A atuação resume algumas das principais características do meia.
Montoro consegue aparecer próximo à área, finalizar quando encontra espaço e, principalmente, acelerar a jogada com passes que quebram linhas defensivas.
Por isso, sua presença pode ser percebida mesmo quando ele não aparece na súmula como autor de um gol ou assistência.
Alex Telles também tem números importantes
Outro jogador que merece atenção nessa análise é Alex Telles.
O lateral participou de 25 partidas nos jogos considerados pelo levantamento e esteve envolvido em 61 finalizações do Botafogo.
Foram três gols, quatro assistências e cinco pré-assistências.
No total, o jogador teve participação em 12 gols da equipe dentro do critério utilizado pelo levantamento, número superior aos oito de Montoro. Sua taxa de participação nos gols nos jogos em que esteve em campo ficou em 31,58%.
Isso não significa que o lateral exerça a mesma função do camisa 10.
São posições e características diferentes.
Montoro é o meia responsável por organizar e criar, enquanto Alex Telles pode contribuir principalmente a partir dos lados do campo, com cruzamentos, passes e chegadas ao ataque.
A comparação serve para mostrar que o Botafogo possui diferentes caminhos para construir suas jogadas.
O que acontece quando Montoro não joga?
Outro dado importante está nas partidas em que o argentino ficou fora.
Montoro não participou de três rodadas do Campeonato Brasileiro no recorte analisado.
Foram os jogos contra Flamengo, Chapecoense e Santos.
Sem o meia, o Botafogo conseguiu duas vitórias e sofreu uma derrota.
O dado, isoladamente, não permite concluir que o time não dependa de Montoro. Também não seria correto afirmar que três partidas são suficientes para medir o impacto de um jogador em uma temporada inteira.
Mas existe uma informação interessante aí.
Mesmo sem seu principal meia de ofício, o Botafogo encontrou alternativas.
Contra o Flamengo, Barrera ocupou a função. Diante da Chapecoense, a equipe utilizou Danilo, Medina e Edenílson no meio-campo. Contra o Santos, Villalba ficou responsável pela criação.
Ou seja, o time não ficou sem opções.
Botafogo precisa encontrar diferentes formas de criar
O desafio para uma equipe competitiva é justamente não depender de uma única maneira de jogar.
Ter um jogador criativo como Montoro é uma vantagem, mas também é importante que o sistema consiga produzir oportunidades quando ele estiver marcado, cansado ou ausente.
Essa questão ganha ainda mais importância em uma temporada com calendário cheio.
Lesões, suspensões, convocações e desgaste físico podem tirar jogadores importantes de determinadas partidas. Um elenco que possui diferentes soluções tende a ter mais alternativas para modificar sua forma de jogar.
No caso do Botafogo, os números indicam que Montoro ocupa uma posição relevante nesse sistema, mas também que outros atletas conseguem assumir responsabilidades ofensivas.
A evolução de um jogador de apenas 19 anos
Além das estatísticas, existe outro aspecto que chama atenção.
Montoro ainda é muito jovem.
O Botafogo renovou o contrato do argentino até dezembro de 2030 em agosto. Na ocasião, o clube informou que o jogador já havia disputado 59 partidas e marcado seis gols com a camisa alvinegra desde sua chegada.
A permanência prolongada demonstra que o clube considera o meia parte importante do planejamento.
Sua evolução também acontece em uma posição que exige bastante maturidade.
Um meia precisa interpretar espaços, escolher quando acelerar a jogada, decidir entre passe e finalização e entender o posicionamento dos companheiros. Tudo isso enquanto é pressionado pelos adversários.
Aos 19 anos, Montoro ainda tem margem para desenvolver essas características.
Os números não contam toda a história
É importante lembrar que estatísticas ajudam a explicar o futebol, mas não conseguem representar completamente o desempenho de um jogador.
Uma assistência pode resultar de uma jogada individual brilhante ou de uma movimentação coletiva muito bem executada. Uma pré-assistência pode ser decisiva mesmo que não apareça nas estatísticas mais tradicionais.
Também existe a influência sem bola.
Um jogador pode atrair a marcação de dois adversários e abrir espaço para um companheiro. Pode fazer uma movimentação que permita a infiltração de outro atleta. Ou ainda recuperar a posse e iniciar uma transição.
Por isso, os números devem ser analisados dentro do contexto da equipe.
No caso de Montoro, eles mostram uma participação significativa na produção ofensiva do Botafogo. Mas também mostram que o time conta com outros jogadores capazes de decidir partidas.
Afinal, qual é o tamanho da importância de Montoro?
Os dados disponíveis permitem fazer uma leitura mais equilibrada.
Montoro é uma das principais peças criativas do Botafogo e participa de aproximadamente uma em cada quatro finalizações da equipe nos jogos analisados. Além disso, esteve envolvido em oito dos 35 gols considerados no levantamento.
Ao mesmo tempo, Danilo e Alex Telles apresentam índices de participação em gols superiores dentro dos jogos em que atuaram.
Isso significa que a produção ofensiva do Botafogo não está concentrada exclusivamente no camisa 10.
O que diferencia Montoro é o tipo de contribuição.
Como único meia de ofício do elenco, ele oferece uma característica específica ao time: capacidade de criação pelo centro do campo, passe entre linhas e participação direta na construção das jogadas.
A questão, portanto, não é simplesmente saber se o Botafogo consegue jogar sem Montoro.
Os números mostram que consegue.
A questão mais interessante é entender como o time joga com ele e quais características precisa encontrar quando o argentino não está em campo.
Com apenas 19 anos e contrato renovado até 2030, Montoro ainda terá muito tempo para ampliar sua participação no Botafogo. E, conforme sua experiência aumenta, a tendência é que seus números também sejam acompanhados de perto por quem tenta entender o caminho ofensivo da equipe.
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