Flamengo encara desafio diferente em Quito: gramado, altitude e um estádio que muda o cenário contra o Del Valle
A mudança de estádio já seria suficiente para alterar o cenário do confronto. Mas, na véspera da partida, outro detalhe ganhou atenção: as condições do gramado. O campo do Atahualpa apresenta falhas em alguns pontos, principalmente nas proximidades das áreas, e funcionários trabalham para deixar o piso nas melhores condições possíveis antes da bola rolar.
O jogo está marcado para as 21h30, no horário de Brasília, e abre a disputa por uma vaga nas semifinais da Libertadores. A segunda partida será realizada no Maracanã, no dia 17 de setembro.
Por que o Del Valle trocou de estádio?
O Independiente del Valle costuma mandar suas partidas no Estádio Banco Guayaquil, uma arena inaugurada em 2021 e construída dentro do complexo esportivo do clube. O estádio tem capacidade para cerca de 12 mil espectadores e é considerado uma das principais estruturas do projeto esportivo do time equatoriano.
Para enfrentar o Flamengo nesta fase da Libertadores, porém, o clube optou pelo Olímpico Atahualpa.
A principal diferença está no tamanho. O estádio escolhido para o confronto pode receber aproximadamente 35 mil torcedores, enquanto o Banco Guayaquil comporta apenas 12 mil. O próprio ge informou que a expectativa é de um público entre 15 mil e 20 mil pessoas, com cerca de 1.500 torcedores do Flamengo.
Na prática, isso significa que o Del Valle abriu mão de um estádio mais compacto e familiar para jogar em uma arena maior, capaz de receber mais torcedores em uma fase decisiva da competição.
É uma mudança que também altera a experiência para os jogadores. Em um estádio maior, a distância entre arquibancadas e campo, o comportamento do público e até a atmosfera antes do início da partida podem ser diferentes.
O gramado virou mais um elemento da partida
Se a altitude já representa uma preocupação conhecida para equipes brasileiras que jogam em Quito, agora o estado do gramado também entra na lista de fatores que podem interferir no confronto.
Imagens divulgadas na véspera mostram pontos do campo que ainda passam por trabalho de recuperação. As áreas próximas aos gols são as que apresentam problemas mais visíveis.
Um gramado irregular não determina sozinho o resultado de uma partida, mas pode modificar algumas características do jogo.
Para uma equipe que procura trocar passes rapidamente, por exemplo, a condição do piso pode influenciar a velocidade da bola e a precisão de determinados movimentos. Um passe rasteiro pode perder velocidade, mudar ligeiramente de direção ou exigir uma adaptação maior do jogador.
Isso não significa que o Flamengo necessariamente será prejudicado. O efeito depende de como cada equipe consegue se adaptar ao cenário.
E há um detalhe importante: o Independiente del Valle também precisará jogar nas mesmas condições.
Por isso, mais do que tratar o gramado como uma vantagem automática para um dos lados, o ponto principal é a capacidade de adaptação. Em uma partida equilibrada, pequenos detalhes podem ganhar importância.
A altitude continua sendo o principal desafio
O gramado chama atenção, mas a característica mais conhecida de Quito continua presente: a altitude.
A capital equatoriana está a cerca de 2.850 metros acima do nível do mar. O Flamengo, por isso, antecipou a viagem e permaneceu no Equador antes da partida para realizar o processo de adaptação. A comissão técnica também trabalha para que os jogadores se acostumem às condições do local e às características da bola em uma atmosfera com menor resistência do ar.
Quem acompanha futebol sul-americano já conhece algumas das dificuldades provocadas por partidas em altitude. O ritmo físico pode ser diferente, a recuperação durante os esforços exige atenção e até a trajetória da bola pode mudar.
É parecido com uma pessoa acostumada a caminhar em uma cidade próxima do nível do mar que, de repente, passa a fazer uma atividade física em uma região muito mais elevada. O esforço pode parecer semelhante, mas o corpo percebe a diferença.
Por isso, o planejamento da viagem faz parte da preparação esportiva.
O Flamengo chegou a Quito depois de enfrentar o Remo em Belém pelo Campeonato Brasileiro. Em vez de retornar ao Rio de Janeiro, a delegação seguiu diretamente para o Equador, estratégia que aumentou o período disponível para preparação antes do compromisso continental.
Flamengo já conhece o Atahualpa
O estádio não será completamente desconhecido para o elenco rubro-negro como instituição.
O Flamengo já atuou no Olímpico Atahualpa em outras ocasiões. Uma das lembranças mais recentes aconteceu em fevereiro de 2020, justamente contra o Independiente del Valle, pela Recopa Sul-Americana.
Naquela partida, os dois times empataram por 2 a 2 no Equador. O confronto acabou decidido no Maracanã, onde o Flamengo venceu por 3 a 0 e conquistou o título.
A história do clube no estádio, porém, é ainda mais antiga. O primeiro jogo do Flamengo no local ocorreu décadas atrás, em 1952, contra o Boca Juniors de Cali, da Colômbia. Na ocasião, o time brasileiro venceu por 6 a 3.
Essa experiência anterior não elimina as dificuldades da partida, mas mostra que o cenário não é totalmente novo para o Flamengo.
Um adversário que também merece atenção
Seria um erro resumir o confronto à altitude e ao gramado.
O Independiente del Valle construiu nos últimos anos um projeto que o colocou entre os clubes mais competitivos do futebol sul-americano. A equipe conquistou duas edições da Copa Sul-Americana, em 2019 e 2022, além da Recopa de 2023, justamente contra o Flamengo.
O clube também ganhou reconhecimento pelo trabalho desenvolvido nas categorias de base e pela estrutura construída em torno do futebol profissional.
Na atual Libertadores, o Del Valle chega às quartas de final depois de eliminar o Deportes Tolima. A equipe venceu os dois jogos daquele confronto e, segundo a própria Conmebol, chega ao duelo contra o Flamengo embalada por uma sequência de vitórias em casa na competição.
Ou seja, o Flamengo não terá pela frente apenas um adversário tentando aproveitar as condições de Quito. Será um time acostumado ao próprio ambiente e que tem conseguido transformar sua estrutura e seu projeto esportivo em resultados internacionais.
Flamengo tenta sair do Equador em boa posição
A estratégia rubro-negra passa por sobreviver bem ao primeiro capítulo da decisão.
O confronto será dividido em dois jogos, e a volta acontecerá no Maracanã. Por isso, o objetivo no Equador não precisa necessariamente ser interpretado apenas como a busca por uma vitória. Um resultado que mantenha o Flamengo em condições favoráveis para decidir em casa também terá peso importante.
O momento da equipe ajuda a aumentar a expectativa. O Flamengo chega às quartas de final da Libertadores invicto na competição, com seis vitórias e dois empates, segundo a Conmebol.
Além disso, o time assumiu recentemente a liderança do Campeonato Brasileiro, após vencer o Remo por 1 a 0. A sequência, porém, exige cuidado com a preparação física, já que o clube terá compromissos importantes em diferentes competições em um curto espaço de tempo.
Depois do jogo em Quito, o Flamengo volta ao Brasil para enfrentar o Corinthians pelo Brasileirão no domingo (13), antes de reencontrar o Del Valle no Maracanã quatro dias depois.
O jogo começa antes da bola rolar
O cenário montado em Quito mostra como uma partida de Libertadores pode ser decidida por detalhes que vão além da escalação.
O Flamengo terá de lidar com a altitude, adaptar-se ao gramado do Atahualpa, enfrentar um adversário acostumado às condições equatorianas e administrar uma sequência pesada de partidas.
Ao mesmo tempo, a mudança para um estádio maior oferece ao confronto uma atmosfera diferente daquela que o Del Valle costuma encontrar em sua casa. O gramado pode não estar perfeito, mas estará à disposição dos dois times. A altitude é um obstáculo para o visitante, mas o Flamengo já tomou medidas para chegar mais preparado.
No fim, a questão será saber quem conseguirá transformar melhor as condições de Quito em desempenho dentro de campo.
A partida desta quinta-feira representa apenas os primeiros 90 minutos de uma decisão que terá seu capítulo final no Rio de Janeiro. Para o Flamengo, sair do Equador com a classificação ainda totalmente ao alcance pode ser tão importante quanto buscar um resultado expressivo.
E, em uma Libertadores marcada por jogos cada vez mais equilibrados, saber jogar o jogo que o cenário oferece pode fazer toda a diferença.
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