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Volta Redonda oferece curso gratuito de Português e Matemática para pessoas surdas

Volta Redonda oferece curso gratuito de Português e Matemática para surdos . São 50 vagas com aulas em Libras . Garanta sua vaga e inscreva-se!
🕒 Tempo de leitura: 3 minutos

Pessoas surdas de Volta Redonda têm até esta quinta-feira, 27 de agosto, para se inscrever em cursos gratuitos de Português e Matemática oferecidos pela Prefeitura. Ao todo, são 50 vagas, com aulas previstas para começar em 1º de setembro, no Centro Universitário Geraldo Di Biase (UGB), no bairro Aterrado.

A iniciativa é realizada pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPD) e foi estruturada para ampliar o acesso à educação por meio de uma metodologia adaptada e profissionais bilíngues.

As inscrições podem ser feitas pelo endereço informado pela organização.

Formação adaptada às necessidades dos participantes

O principal diferencial do curso está na utilização da Língua Brasileira de Sinais (Libras) durante as atividades. A proposta é permitir que os conteúdos sejam apresentados de maneira acessível, reduzindo uma das barreiras que ainda dificultam o acesso de pessoas surdas a oportunidades de formação.

No curso de Português, os participantes terão atividades voltadas para leitura, escrita e interpretação. As aulas serão ministradas pela professora bilíngue Larissa Regeneratt.

A disciplina de Matemática ficará sob responsabilidade do professor bilíngue Júlio César Lopes, com conteúdos relacionados ao raciocínio lógico e à resolução de situações e problemas do cotidiano.

A escolha das duas disciplinas também chama atenção. Português e Matemática estão presentes em inúmeras situações da vida diária, desde a interpretação de documentos até operações financeiras e compreensão de informações.

Educação acessível amplia oportunidades

Quando uma pessoa encontra dificuldade para acessar determinado conteúdo por falta de acessibilidade, o problema não termina na sala de aula. A barreira pode acompanhar o indivíduo em processos de qualificação profissional, busca por emprego e até mesmo no acesso a serviços públicos.

Por isso, oferecer formação em um ambiente preparado para pessoas surdas tem um significado que ultrapassa o conteúdo das disciplinas.

A acessibilidade permite que o participante tenha melhores condições de compreender, questionar e aplicar aquilo que está sendo ensinado.

Nesse sentido, a utilização de profissionais bilíngues é um componente importante da iniciativa. A comunicação deixa de ser um obstáculo central e passa a existir uma relação mais direta entre professor e aluno.

Libras também é instrumento de inclusão

A utilização da Libras nas aulas reforça uma questão que muitas vezes é tratada apenas como acessibilidade física.

Uma cidade inclusiva precisa pensar também em acessibilidade comunicacional.

Rampas, elevadores e adaptações físicas são fundamentais, mas não resolvem sozinhos as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência. O acesso à informação e à educação também precisa fazer parte das políticas públicas.

No caso das pessoas surdas, oferecer conteúdos diretamente em Libras pode representar uma diferença significativa na compreensão e na participação.

A iniciativa de Volta Redonda, portanto, trabalha em duas frentes: oferece uma oportunidade concreta de formação e, ao mesmo tempo, demonstra que políticas de inclusão precisam considerar diferentes formas de comunicação.

Curso pode fortalecer autonomia

Conhecimento de Português e Matemática pode ter impacto direto na autonomia de uma pessoa.

Interpretar corretamente um contrato, compreender uma informação escrita, calcular valores, organizar despesas ou resolver uma situação cotidiana são habilidades que fazem parte da vida de qualquer cidadão.

Quando a formação é oferecida de maneira acessível, aumenta-se a possibilidade de que o participante utilize esse conhecimento de forma independente.

Esse aspecto também se relaciona ao mercado de trabalho. Embora um curso isolado não resolva todas as dificuldades de inserção profissional, melhorar conhecimentos básicos pode contribuir para outras etapas de qualificação.

Análise do Editor

A inclusão costuma ser discutida em termos amplos, mas sua efetividade aparece justamente em iniciativas práticas como essa.

Não basta afirmar que uma pessoa com deficiência tem direito à educação. É preciso criar condições para que ela consiga acessar o conteúdo, compreender o que está sendo ensinado e participar efetivamente do processo.

Os 50 lugares oferecidos pelo curso representam uma oportunidade concreta para um grupo específico de moradores. Ao mesmo tempo, a iniciativa mostra um caminho que pode ser ampliado para outras áreas de formação.

Português e Matemática são apenas o começo.

Se a acessibilidade estiver presente também em cursos profissionalizantes, capacitações para o mercado de trabalho, serviços públicos e programas de qualificação, a inclusão poderá produzir efeitos ainda maiores.

Outro ponto importante é entender que a deficiência auditiva não diminui a capacidade de aprendizagem. O que pode existir é uma barreira de comunicação.

Quando essa barreira é reduzida por meio da Libras e de profissionais preparados, o foco passa a estar no que realmente importa: o desenvolvimento do aluno.

Volta Redonda acerta ao aproximar educação e acessibilidade. O próximo passo é fazer com que oportunidades semelhantes deixem de ser ações pontuais e se tornem parte permanente da política de inclusão do município.


Por Bertoloti
Fundador e Editor Responsável

Publicado em: 25 de agosto de 2026
Última atualização: 25 de agosto de 2026

Temas desta matéria:
Volta Redonda • Educação • Inclusão • Pessoas surdas • Libras • Acessibilidade • Capacitação • Pessoa com deficiência

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