A CSN apresentou melhora em importantes indicadores operacionais no segundo trimestre de 2026, mas o resultado financeiro continua sendo um dos principais pontos de atenção para a companhia.
A receita líquida chegou a R$ 11,31 bilhões, alta de 5,7% na comparação anual, enquanto o EBITDA ajustado alcançou R$ 2,77 bilhões, crescimento de 4,9%. Ao mesmo tempo, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 773,1 milhões no período.
Receita e EBITDA avançam
Os números mostram uma melhora da operação da companhia. A receita cresceu quase 6% em relação ao segundo trimestre de 2025, enquanto o EBITDA ajustado avançou 4,9%.
O desempenho operacional foi favorecido pela evolução de diferentes segmentos do grupo, com destaque para siderurgia e cimento.
A melhora, porém, não foi suficiente para evitar um resultado líquido negativo.
Resultado financeiro pesa no balanço
Um dos principais obstáculos foi o resultado financeiro. A CSN registrou saldo negativo de aproximadamente R$ 1,84 bilhão no trimestre, impactado principalmente pelas variações cambiais.
O efeito financeiro também aparece no nível de endividamento da empresa. A alavancagem financeira chegou a 3,49 vezes, acima dos 3,24 vezes registrados no mesmo período do ano anterior.
Esse cenário mostra o contraste do balanço: a operação apresenta sinais de recuperação, mas a estrutura financeira continua pressionando o resultado final.
CSN Mineração tem lucro, mas EBITDA recua
A CSN Mineração apresentou desempenho diferente da controladora. A empresa registrou lucro líquido de R$ 219,4 milhões, alta de 89,5% em relação ao segundo trimestre de 2025.
Por outro lado, o EBITDA ajustado caiu 19,7%, para R$ 1,02 bilhão, enquanto a receita líquida ajustada recuou 15,8%, para R$ 2,87 bilhões.
A dívida líquida da CSN Mineração terminou o trimestre em R$ 1,43 bilhão.
O desafio agora é reduzir a pressão financeira
O resultado da CSN reforça uma questão que acompanha a companhia há algum tempo: melhorar a geração operacional sem permitir que o endividamento e as despesas financeiras anulem os ganhos obtidos nos negócios.
A combinação de receita maior e EBITDA em alta é positiva, mas o prejuízo líquido mostra que ainda existe uma distância considerável entre a melhora operacional e a recuperação completa do balanço.
Análise do Editor
O balanço da CSN merece ser observado por dois ângulos.
De um lado, há uma sinalização positiva: a empresa conseguiu aumentar receita e EBITDA em um cenário ainda desafiador para setores como siderurgia e mineração.
De outro, o endividamento continua sendo o ponto mais sensível. Uma empresa pode apresentar crescimento operacional e, ainda assim, ter dificuldade para transformar esse desempenho em lucro quando despesas financeiras e variações cambiais assumem peso elevado.
Para os próximos trimestres, portanto, tão importante quanto acompanhar receita e EBITDA será observar a evolução da dívida e da alavancagem.
A recuperação operacional já aparece nos números. O próximo desafio da CSN é fazer essa recuperação chegar ao resultado final.
Por Bertoloti
Fundador e Editor Responsável
Publicado em: 22 de agosto de 2026
Última atualização: 22 de agosto de 2026
Temas desta matéria:
CSN • Companhia Siderúrgica Nacional • Economia • Balanço • EBITDA • Endividamento • Siderurgia • Mineração