Puxa uma cadeira, aceita um café? Daquele jeitinho mineiro, passado na hora, para a gente prosear com calma. Sei que o assunto hoje parece coisa de outro mundo, lá da República Democrática do Congo, mas abre o olho: a estratégia por trás desse caos bate na porta de qualquer um que já precisou equilibrar as contas, gerir um boteco ou organizar o churrasco da firma. Às vezes, a gente foca tanto no que está na nossa frente que esquece que o perigo mora nos detalhes que ninguém quer olhar.
O que está acontecendo por lá com a cepa Bundibugyo do Ebola não é só uma estatística médica; é um "alerta vermelho" gritando no painel de quem tem faro de mestre. Para quem é fã de um bom filme, a situação é a cópia cuspida e escarrada daquele duto de ventilação da Estrela da Morte em Star Wars. Lembra? Uma falha de projeto minúscula, um buraquinho no sistema de vigilância que os figurões do Império acharam que não dava em nada. Pois bem, o vírus achou o duto de ventilação do Congo e o estrago é catastrófico. Essa cepa Bundibugyo é traiçoeira; não é o Ebola comum que a gente já tem as manhas de lidar com vacinas prontas. É um "furo na planta" que pegou todo mundo de calça curta. E a pergunta que fica para nós, que estamos aqui na lida, é amarga: o que acontece quando a gente resolve dormir no ponto e ignorar o barulho estranho no motor?
Será que a gente está vigiando o que importa?
Na gestão de qualquer ziquizira, o tempo não é apenas dinheiro; é a diferença entre a vida e a vala. O grande pecado estratégico nesse surto foi o "delay". As autoridades admitiram que o monstro já estava solto há semanas antes de alguém tocar o bumbo. Agora, pensa comigo: imagine que você é o dono de um depósito de carga valiosa e o seu conferente resolve tirar um cochilo bem na hora que o caminhão encosta. Quando o sujeito acorda e percebe que o lacre foi rompido, o prejuízo já atravessou a fronteira, já foi revendido e o ladrão está rindo à toa.
Esse cochilo deu ao vírus o que a gente chama de "mando de campo". Ele teve semanas para se instalar, conhecer os atalhos e se esconder no meio do povo. O ROI — o retorno do investimento — de qualquer ação agora é baixíssimo. Se tivessem agido no primeiro dia, um balde de água resolvia. Agora, o governo está tentando apagar um incêndio que já tomou a floresta inteira usando peneira. Quando você perde o tempo de reação, você para de ditar o ritmo do jogo e vira refém do adversário. Na vida, a gente faz isso direto: ignora a conta que está vencendo ou o funcionário que está descontente, achando que o problema some sozinho. Só que o problema não some; ele cria corpo, treina na academia e volta para te dar um nocaute.
Como faz para o remédio chegar no tiroteio?
Combater vírus nas províncias de Ituri e Kivu não tem nada a ver com essas palestras bonitas de terno e gravata. É logística de guerra, daquelas de botar o pé no barro e a mão na massa. Imagine que sua missão é entregar uma carga delicada, que não pode esquentar nem sacudir, em um lugar onde as estradas sumiram e o tiroteio das milícias é o despertador matinal da vizinhança. É o "último quilômetro" mais caro do mundo, porque cada metro avançado exige uma negociação ou uma proteção armada.
Aqui a gente aplica a estratégia de infantaria. Na saúde, a "infantaria" são as equipes de sepultamento e os médicos de campo. Se esses soldados não têm "cobertura" — ou seja, segurança física contra os grupos armados —, eles não conseguem "tomar o morro" e estancar a doença. O inimigo invisível ocupou o terreno com uma precisão que daria inveja a muito general:
- Província de Ituri: 17 zonas de saúde atingidas. É o olho do furacão, onde a confusão é generalizada e o vírus fincou bandeira.
- Província de Kivu do Norte: 7 zonas de saúde atingidas.
- Província de Kivu do Sul: 1 zona de saúde atingida.
Se a logística física trava por causa do medo da bala, o vírus agradece e faz a festa. Sem segurança, a medicina vira alvo móvel. É como tentar consertar o telhado enquanto alguém joga pedra na sua escada: não tem como o serviço render.
O povo não acredita? Aí azedou o pé do frango
Mas não é só de estrada ruim que vive o caos. Existe a "logística da mente", que é a comunicação. E aí, meu parceiro, é onde o filho chora e a mãe não vê. Não adianta a diretoria lá em Genebra ou em Kinshasa desenhar o plano mais perfeito se o "chão de fábrica" — o povo que está lá na ponta — não confia no mestre de obras. No Congo, a desconfiança é o maior gargalo. Quando as pessoas atacam os centros de tratamento, não é por maldade pura, é por falta de confiança.
O motor da engrenagem social só gira se tiver o lubrificante da credibilidade. Sem isso, as peças rangem até o motor fundir. O perigo vira letal quando o cidadão esconde a febre, o vômito e a diarreia. Por que ele faz isso? Porque ele tem medo do isolamento, medo da autoridade que ele não conhece, medo de que o remédio seja pior que a doença. Se a comunicação gera ruído, o isolamento vira prisão e o tratamento vira ameaça. O resultado? O vírus ganha um passaporte diplomático para circular livremente. É uma lição para qualquer líder: se você não ganha o coração da sua equipe, eles vão boicotar o seu processo, mesmo que esse processo seja para salvar a vida deles.
Dá para jogar final de campeonato descalço?
Agora, o que me deixa injuriado é a tal da gestão da escassez. Mandar médico para o olho do furacão sem luva, sem máscara e sem avental é a mesma coisa que escalar o Flamengo para a final da Libertadores e mandar os caras jogarem descalços no asfalto quente. Ou mandar um soldado para a trincheira armado apenas com um estilingue. É um desrespeito com quem está segurando o rojão na linha de frente.
Isso é falta de inteligência financeira básica. Gastar alguns trocados hoje com Equipamento de Proteção Individual (EPI) é o melhor investimento que existe. É como economizar no extintor de incêndio morando em uma casa feita de palitos de fósforo. O apelo do Comitê Internacional de Resgate (IRC) pedindo verba para Ituri é o grito de quem viu o estoque esvaziar na hora da maior demanda. Quando quem deveria curar acaba virando um transmissor do vírus porque não tinha uma luva de látex, a falha de gestão deixa de ser um erro de planilha e vira uma tragédia humanitária sem precedentes. Na lógica do mercado ou da saúde, o seguro pode até parecer caro, mas o custo do acidente é sempre impagável.
Minha humilde conclusão sobre essa peleja
O balanço final dessa história é um soco no estômago de quem tem um pingo de sensibilidade: 598 casos confirmados, 115 mortes e apenas 22 recuperados. Olhe bem para esses números. Dos quase seiscentos que caíram, só 22 conseguiram levantar e voltar para casa. É uma taxa de letalidade que mostra que a guerra está sendo perdida por goleada. Esses 22 são heróis, mas para um estrategista, eles são o aviso de que o inimigo não está para brincadeira.
Como um torcedor que não aceita jogo mole e quer ver o resultado no placar, minha opinião é curta e grossa: falta disciplina e falta antecipação. O mestre que tem o faro aguçado — aquele faro para o problema — sabe que não se espera a prateleira esvaziar para fazer o pedido. Não se espera o vírus atravessar a fronteira para trancar a porta.
Seja você um dono de quiosque, um gerente de fazenda ou um ministro, aprenda com o erro alheio. Informação que corre rápido e logística que não para são as únicas armas que prestam. O tempo de resposta é o que separa o campeão do perdedor. Fica aqui meu respeito máximo para os profissionais que estão lá na trincheira do Congo, tentando segurar o rojão com o que têm. Eles são a última linha de defesa entre a ordem e o caos total. Para nós, fica a lição: olho vivo, pé no chão e vigilância absoluta. Só assim a gente não deixa o pé do frango azedar de vez na nossa mão.
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